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Maio começa às moscas…

Maio começa às moscas. Pequenas asas penduradas em zunidos olhudos; moscas de estação chegam à procura de que? De quem? Um passeio dentro do meu quarto, sem guia, ela passa a me guiar; à meia luz tateio o antídoto para o que a fez tão irritante; só pode ter sido magia! Uma fada má transformara a moça enclausurada em torre num pequeno animal voador, pouco discreto. A mosca. Parece endereçada a me contar sua sina e seu sofrimento.

-Não conto histórias de moscas!

Baliza entre minhas orelhas, direita zum zum zum, esquerda zum zum zum. Alcanço o baygon, simulo um banho de chuva enquanto ela dança. Aguardo sentada. O pouso forçado; a mosca dramatiza a própria morte, tantas pernas para esticar, últimos zumbidos suspiros insistem em meu ângulo, vejo as perninhas contorcidas malabáricas sobre a mesa, ao lado do último gole da cerveja, pequena dose reservada ao fim. Cumpriu sua vocação. Renasceu poesia. Mosca maldita.

Pollyana Sousa

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